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O Credit Default Swap Renasce das Cinzas

Credit Default Swap renasce
F T L
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O mito da Fênix representa um ciclo sem fim. Ela vive, morre, e então renasce das cinzas de novo e mais uma vez. Essa figura também representa um ciclo natural do mercado financeiro, como o caso dos Credit Default Swaps. A metáfora também se aplica à ocorrências semi-periódicas de depressão econômica, assim como do mindset e comportamento de participantes do mercado. O mercado com frequência perde a sua fé em um ativo em específico, para então redescobri-lo com um entusiasmo renovado mais tarde.

O mercado financeiro global foram completamente abalados em 2008, quando a crise das hipotecas eclodiu nos EUA e no Reino Unido. A queda de bancos, corretoras, e outras instituições financeiras também fizeram com que o preço dos imóveis caísse. Seus efeitos foram sentidos por proprietários de imóveis pelo mundo inteiro, especialmente para aqueles que financiaram as suas aquisições através de empréstimos. Os preços caíram tanto que o melhor curso de ação para os mutuários era de reduzir as suas perdas e inadimplência.

Houve muitos fatores que contribuíram com a escalada da crise de 2008, no entanto, uma das que foram mais afetadas foi o crédito subprime. Neste ponto, a maioria das pessoas não sabiam o que eram os Credit Default Swaps, até que eles de repente se tornaram o centro das atenções. A ideia era “re-empacotar” títulos hipotecários subprime em títulos regulamentados de balcão e, em seguida, cobrir o risco de inadimplência comprando Credit Default Swaps. Naquele tempo parecia como uma empreitada perfeita e sem riscos. Infelizmente o processo de transformar essas hipotecas em títulos negociáveis levou-as para muito longe do mercado imobiliário real. Como a taxa de inadimplência dessas hipotecas aumentaram de maneira considerável, os títulos que foram agrupados começaram a perder valor. Isso fez com que as instituições emissoras desses títulos declarassem falência. Quando elas o fizeram, coube aos bancos e as empresas de seguro que emitiram os Credit Default Swap que os cobrisse. Essas empresas não estavam preparadas para o grande volume de pagamentos que elas teriam que fazer, levando-as também a cair. A lista de instituições financeiras que foram vítimas desse padrão incluem a Fannie Mae, Freddie Mac, AIG, Lehman Brothers, Citibank, e a Bear Stearns, isso dando nome a apenas algumas delas.

O senso comum sugere que qualquer um que qualquer que tenha visto os eventos de 2008 acontecendo iriam evitar a construção de qualquer investimento mal sucedido. Na realidade, esse não parece ser o caso. A combinação da hipoteca subprime com o Credit Default Swap está passando por um ressurgimento vigoroso. Ele pode vir de uma maneira diferente, mas o conceito em questão é o mesmo. Outra diferença é que os EUA não estão no ponto zero neste momento, na realidade está acontecendo com a segunda maior economia do mundo: A China.

O fenômeno não está limitado ao mercado imobiliário, ele também se estende aos empréstimos corporativo. Ele também não é exclusivamente financiado pela indústria regulada dos bancos, mas também pelo sistema bancários paralelo da China. São empréstimos vindos de empresas ou indivíduos privados, e não do sistema bancário comercial da China ou de bancos estatais. A situação é ainda mais complicada pela falta de informações sobre a quantidade de capital circulado pelo sistema bancário paralelo. O que sabemos de fato é que eles agrupam esses empréstimos duvidosos não regulados em títulos financeiros especiais com a ajuda dos bancos, para então revendê-los como títulos negociáveis. O resultado é que nem mesmo os bancos sabem exatamente o que eles estão vendendo e se isso lhe dá uma forte sensação de deja vu, você não está sozinho nessa.

Nem os investidores estrangeiros nem o governo chinês sabem o número exato e o tamanho desses empréstimos. Algumas estimativas dizem que eles representam dois terços de todos os empréstimos da China. Por outro lado, não podemos nem mesmo começar a estimar o número ou a taxa de inadimplência. Apesar disso, a taxa de títulos hipotecários subprime continua a crescer. Hoje, esses títulos podem ser encontrados nas prateleiras de instituições financeiras ao redor do mundo valendo mais de 1.000 bilhões de dólares em valor agregado. Apesar de ser fácil diminuir o perigo dizendo que ele não tem nada a ver conosco, isso seria um erro. Esses títulos são frequentemente parte de ETFs de alto rendimento, já que eles estão intimamente envolvidos em no agrupamento e reagrupamento desses empréstimos. O que deixa tudo ainda mais preocupante é que esses empréstimos subprime irão eventualmente chegar a um nível crítico, assim como aconteceu em 2008. Se as perspectivas da China diminuírem, ela pode arrastar junto toda a economia mundial.

O crescimento do título lastreado em hipotecas “Fênix” mostra que os investidores estão mais do que dispostos a dar uma segunda chance aos antigos títulos, desde que eles tragam novidades. Mas vamos torcer para que isso não acabe se tornando um feitiço que se vira contra o feiticeiro.

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