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Carbon Credits

Créditos de Carbono – Como as emissões funcionam?

Para quem quer salvar o planeta, o mercado pode ajudar nessa tarefa por meio dos créditos de carbono. Os lucros desse tipo de ativo são como um sopro de ar fresco. Recebemos os primeiros relatórios sobre o estado crítico e preocupante da poluição do ar há algumas décadas. Desde então, conforme os equipamentos de medição continuam se aprimorando e quantidades cada vez maiores de dados brutos são acumuladas, é evidente que as emissões não pararam de aumentar.

Embora muitos ainda discutam a extensão da culpa dos seres humanos nas mudanças climáticas, vemos que há um certo consenso ao redor do mundo quando consideramos o Protocolo de Kyoto e o Acordo de Paris,. Isso também levanta algumas questões sobre a sustentabilidade do crescimento industrial e econômico global.

Reduzir radicalmente as emissões de carbono requer um tremendo sacrifício, e fazer isso certamente afeta a economia atual e suas possibilidades futuras. No entanto, isso simplesmente não é um risco que a maioria dos chefes de Estado estava disposto a correr. Como consequência, eles adicionaram algumas brechas aos acordos mencionados anteriormente. A principal delas é a livre distribuição e comercialização de cotas de emissão de carbono.

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A história dos créditos de carbono

O comércio de créditos de carbono foi defendido pela primeira vez pelo economista Ronald Coase, ainda na década de 1960. Ele acreditava que os economistas deveriam focar suas análises em mercados reais. Uma de suas contribuições mais famosas é o teorema de Coase, que afirma que, se as pessoas puderem negociar externalidades, chegaremos a resultados muito eficientes. Esse trabalho contribuiu para que Coase ganhasse o Prêmio Nobel de Economia em 1991.

Externalidades são benefícios para uma parte econômica que transfere os custos para outra parte que não concordou com esse acordo. Isso é muito importante, pois a poluição é a externalidade que as pessoas tendem a ver com mais frequência.

Esse conceito é a base do Protocolo de Kyoto e, mais recentemente, do Acordo de Paris de 2015. A ideia é que, se for determinada uma quantidade aceitável de poluição por ano e a indústria puder negociar essas emissões, então o mercado não poluirá em excesso. Mais do que isso, a indústria também poderá precificar a poluição de maneira eficiente.

Houve um certo esforço para manter todos os países comprometidos, com a Europa mostrando a maior determinação até agora.

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Como os créditos de carbono funcionam

Os chamados créditos de carbono são distribuídos a vários países por organizações internacionais, de acordo com estimativas das emissões prováveis para cada um deles. Quando as cotas são definidas, elas podem ser distribuídas internamente por cada país. A ideia básica é que as empresas preocupadas com o meio ambiente reduziriam suas emissões, o que, por sua vez, criaria um excedente que elas poderiam revender para outras empresas. Isso forçaria as empresas que provocam uma grande poluição a ter custos operacionais mais altos, colocando-as em desvantagem competitiva.

Cada unidade desses futuros representa uma tonelada métrica de emissões de CO2 ou gases equivalentes. Atualmente, os contratos futuros representam 1000 unidades/tonelada. A taxa vigente para os contratos do tipo EUA é de cerca de 5 euros; já para CREs, essa taxa é de apenas 0,2. Isso destaca a diferença da seriedade com que as pessoas encaram o sistema europeu (contratos EUA) em comparação com o Protocolo de Kyoto (contratos RCE).

Onde operar emissões de carbono?

Inicialmente, esses créditos eram operados no mercado de balcão (OTC), fora dos mercados regulamentados. No entanto, levou apenas alguns anos para que fossem disponibilizados em redes particulares de trading. Por fim, a Intercontinental Exchange (ICE) lançou seus próprios futuros de crédito de carbono oficiais. Hoje eles estão disponíveis em diferentes formatos, de acordo com o acordo climático a que eles estão ligados. Há créditos de Redução Certificada de Emissões (RCE), de acordo com o Protocolo de Kyoto, e licenças de emissão da União Europeia (EUA, na sigla em inglês), baseado no Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia.

Questões práticas do comércio de emissões

Embora pareça plausível em teoria, na prática essas estimativas de cota são excessivamente generosas. Isso permitiu que a maioria das empresas cumprisse suas metas de emissão com certa facilidade.

A definição de um preço rastreável por parte da ICE foi a parte final e mais importante do plano original. Quando os países começaram a divulgar publicamente seus números, ficou óbvio que havia um excedente esmagador de vendedores – o fato de o mundo todo tentar se livrar desses créditos impossibilitou as vendas. Isso significava que o mercado praticamente não tinha liquidez, o que fez com que os especuladores abandonassem o mercado e a liquidez fosse reduzida por completo. Como resultado, os preços das cotas caíram ainda mais, o que tornou a operação do ativo inviável.

Vamos analisar a partir da perspectiva de um trader: podemos ver que há um número crescente de empresas que desejam vender seus créditos, o que fez com que a demanda por eles afundasse. O resultado dessas circunstâncias é que os preços do crédito de carbono também caíram significativamente. Portanto, quando o comércio de emissões está barato, as empresas estão dispostas a gastar um pouco mais para manter ou até mesmo aumentar suas emissões. A mão invisível do mercado demonstra mais uma vez que é uma força que deve ser reconhecida. Em algum nível, essa falha na política de comércio pode ser observada até mesmo em grandes economias planejadas. Tentar controlar os resultados econômicos de cima para baixo por meio de cálculos cuidadosos é a mesma armadilha em que a URSS e a maioria dos países comunistas caíram.

O futuro dos créditos de carbono

O mercado de emissões está prestes a sofrer algumas mudanças importantes em 2020, o que poderia mudar completamente o mercado de créditos de carbono. A inclusão de um fator de redução linear significaria que os créditos de carbono diminuiriam continuamente a uma taxa fixa. Em vez de manter um valor fixo, eles seriam depreciados anualmente.

Isso poderia afetar o mercado de maneira semelhante à forma como os bancos centrais geralmente regulam a oferta de moeda. Quando notam que a inflação está acelerando, eles tendem a endurecer suas políticas de taxa de juros. Essa medida, por sua vez, reduz a quantidade de dinheiro em circulação e reduz a inflação.

Novas instituições

Esse tipo de solução pode atrair os especuladores de volta ao mercado de emissões. Por outro lado, também pode ser preciso criar uma nova instituição de suporte. Nesse caso em particular, é a Reserva de Estabilidade de Mercado (REM). Seu objetivo é agir como uma espécie de formador de mercado, drenando o excedente do mercado de cotas. A compra de emissões em excesso também ajudaria a injetar liquidez no mercado. O anúncio de criação da REM poderia revolucionar esse mercado, e a sua estrutura já está em desenvolvimento.

O preço da Licença de Emissão da União Europeia (EUA) variou entre 3 e 7 euros no primeiro mês da sua criação. No entanto, após a decisão do Parlamento Europeu de criar a REM, os preços passaram de 25 euros em 2019. Isso ocorreu principalmente devido às grandes empresas emissoras de carbono, que passaram a comprar esses contratos futuros em grande escala. A ideia era obter o maior número possível antes que essas mudanças entrassem em vigor em 2020. Algumas empresas chegaram a comprar contratos com vencimentos até 2025. Além disso, o interesse renovado no ativo pressiona outras empresas a aderirem ao sistema. Poderia este ser o primeiro segmento de mercado em que a interferência governamental de cima para baixo gerou um resultado eficiente? Só o tempo dirá.