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Curva de Demanda Agregada – Definição, determinantes e componentes

Curva de Demanda Agregada
F T L
17 minutos de leitura

Você já se perguntou o que é demanda agregada? Esse conceito trata da demanda total por produtos e serviços acabados produzidos dentro de uma economia, sendo calculada na moeda local. Se expresso em um gráfico, o eixo x reflete a demanda ou o PIB real, enquanto o eixo y reflete o preço. Embora algumas pessoas acreditem que a demanda agregada seja apenas uma fórmula que expressa a oferta e a demanda, isso é uma simplificação grosseira do cálculo. A curva inclui uma enorme variedade de determinantes diferentes a serem considerados. Ao incluir o desempenho econômico futuro esperado, também é possível sobrepor curvas de demanda agregada adicionais. Essa sobreposição pode mostrar o impacto potencial de diferentes graus de crescimento ou contração econômica.

Sem analisar a fundo a curva de demanda agregada, você pode acabar supondo que ela é simplesmente uma linha reta. Muitos acreditam que, à medida que o preço médio diminui, a demanda aumenta automaticamente. Isso pressupõe que toda uma série de fatores diferentes permanecerá constante, o que de fato não acontece. Na verdade, questões como consumo, investimento privado, gastos públicos e exportações geralmente se movem em direções diferentes e em graus variados. Estes são os elementos mais importantes que compõem a fórmula da curva de demanda agregada, e é improvável que eles se movam na mesma direção e no mesmo grau ao mesmo tempo. Esse tema oferece uma base muito interessante para traders que desejam incorporar a demanda por bens e serviços em suas estratégias de investimento. Ele também levanta uma série de perguntas muito comuns, as quais abordaremos no final deste artigo.

Conteúdo:

O que é demanda agregada?

A definição de demanda agregada é bem simples. É uma medida econômica que reflete a demanda total por todos os produtos e serviços acabados produzidos em uma economia, e na moeda local. Existe uma correlação direta entre demanda agregada e Produto Interno Bruto (PIB). Este último reflete a quantidade total de bens e serviços produzidos em uma economia, na moeda local, ajustada pela inflação. Mudanças nas taxas de juros, na demanda do consumidor, entre outros fatores, deslocarão a curva para a esquerda ou para a direita. Há uma discussão constante entre economistas sobre se um aumento na demanda do consumidor leva a um aumento na produção. Pode ser também que um aumento na produção indique um aumento na demanda. O que veio primeiro: a galinha ou o ovo?

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Quais fatores influenciam?

Mudanças na demanda agregada não são causadas por uma mudança no preço de produtos e serviços individuais. Ela depende mais de uma mudança geral na atividade econômica. Por exemplo, em tempos de recessão, a tendência é que ocorra uma redução no consumo. Isso vem acompanhado de um aumento na poupança e uma redução no nível de endividamento, o que leva a um declínio na curva de demanda agregada – consequentemente, a demanda por produtos e serviços cairá. Como resposta, a necessidade de reduzir custos tem o potencial de aumentar muito as demissões. O desemprego em larga escala pode provocar outra queda na demanda do consumidor, criando um círculo vicioso. É por isso que, em geral, vemos um aumento nos gastos do governo e nos incentivos fiscais em tempos de recessão. O objetivo é compensar a redução em outros determinantes da demanda agregada.

Em economias dinâmicas, há uma dependência menor de investimentos do governo. Incentivos fiscais e salários maiores alimentam a crescente demanda dos consumidores, além de gerar um aumento na demanda geral por bens e serviços. Um aumento constante na demanda por bens e serviços tende a causar uma pressão específica de aumento dos preços. Uma economia em crescimento geralmente gera aumentos salariais acima da média. O conjunto dessa situação leva a um aumento geral nos custos empresariais. Além disso, o aumento na inflação causa uma pressão de alta em elementos como custos de materiais. Como mencionado acima, geralmente há um atraso entre o aumento do custo dos bens e serviços para os consumidores e o custo para as empresas.

Taxas de juros, inflação e outros determinantes

É tentador fazer uma associação direta entre um gráfico com a curva de demanda agregada e uma fórmula simples de oferta e demanda para um produto ou serviço individual. Nesse cenário, admitimos que o preço de todos os bens e serviços permanece constante, assim como a renda e a despesa dos consumidores. Ao analisar a demanda agregada e seus vários determinantes, precisamos levar em consideração uma série de outros fatores. Se observarmos as taxas de juros, por exemplo, elas podem ter um enorme impacto nos custos comerciais e na demanda do consumidor. Se as taxas de juros sofrerem um aumento, isso tende a aumentar o custo dos empréstimos empresariais e individuais, levando a uma redução da demanda. Uma redução nas taxas de juros tem o efeito contrário: reduz o custo dos empréstimos, incentiva o investimento das empresas e aumenta a demanda geral do consumidor.

Há uma correlação direta inegável entre variações nas taxas de juros e o custo de empréstimos empresariais e do crédito ao consumidor. Vale a pena observar que a especulação também possui uma forte influência nos resultados. Por exemplo, em uma economia dinâmica, muitos consumidores – e empresas – podem considerar que a inflação tende a se fortalecer com o passar do tempo. A determinação de preços com base nessa premissa pode resultar em um aumento nos custos das mercadorias, tanto para as empresas quanto para o consumidor. Isso pode gerar um impacto na demanda de curto prazo, levando a um aumento na demanda agregada. Por outro lado, considerando a pandemia do novo coronavírus, pode-se supor que a atividade econômica será reduzida e os preços cairão em termos reais. Esse cenário provocaria uma redução na demanda agregada, deslocando a curva para a esquerda.

Além das taxas de juros e da inflação, conforme acabamos de tratar, há outros fatores fundamentais a serem considerados.

Riqueza das famílias

Ao analisar os dados econômicos, muitas vezes você verá os indicadores de riqueza média das famílias e renda média disponível. Um aumento na riqueza das famílias terá um impacto positivo na demanda agregada, principalmente devido à maior confiança na economia, aos altos níveis de renda disponível e à maior disposição para assumir dívidas por parte dos consumidores. Quando a riqueza das famílias diminui, ocorre uma redução no endividamento do consumidor. Isso se deve a um aumento da poupança do consumidor e um adiamento na aquisição de certos tipos de bens e serviços. Isso gera um impacto negativo na curva de demanda agregada.

Despesas do governo

Podemos notar que os governos tendem a injetar maiores níveis de capital na economia em tempos mais difíceis. Isso pode ser feito por meio de aumento do investimento em habitação, redução das tarifas comerciais, dos impostos sobre produtos e serviços ou até mesmo do imposto de renda. A ideia é simples: ao reduzir o custo de vida e das empresas, o governo ajuda a aumentar a renda disponível para o consumidor. Essa prática reduz o impacto negativo na demanda agregada. Consequentemente, em épocas de economia mais dinâmica, os governos tendem a evitar isenções fiscais e grandes investimentos. A justificativa é que isso poderia gerar um superaquecimento na economia – uma bolha de consumo pronta para explodir. 

Taxas de câmbio

As moedas raramente se movem na mesma direção. Como consequência, o custo dos produtos para compradores estrangeiros tende a ser bastante volátil em diferentes cenários econômicos. A fórmula para calcular a demanda agregada considera as exportações líquidas. Portanto, variações no valor de moedas estrangeiras podem impactar a curva de demanda agregada. Se, por exemplo, a libra esterlina se enfraquecer em relação ao dólar, as importações do Reino Unido terão destaque para os consumidores americanos. Por outro lado, se a libra se fortalecesse em relação ao dólar, isso tornaria as importações americanas mais atraentes para os compradores do Reino Unido. De muitas maneiras, esse aspecto da demanda depende fortemente de influências externas, as quais vão além do escopo dos governos nacionais.

Custos de materiais 

Além das taxas de câmbio, devemos falar sobre importações. Muitas empresas dependem da importação de materiais – ou até mesmo de funcionários – para que possam fornecer produtos e serviços. Por exemplo, o valor do petróleo é tradicionalmente cotado em dólares americanos. Portanto, qualquer movimento na taxa de câmbio entre libra e dólar terá um impacto nos custos básicos dos negócios entre os dois países. Além disso, é preciso considerar o fato de que alguns materiais podem se tornar escassos em tempos de alta demanda. Com base apenas na relação entre oferta e demanda, essa situação gera um aumento no custo dos materiais.

Componentes da demanda agregada

Nesta seção, nós analisaremos a demanda agregada em termos puramente técnicos.

Curva de demanda agregada

Como mencionado anteriormente, a curva de demanda agregada representa a demanda total por todos os bens e serviços em uma economia, com base na moeda local. Como referência, dê uma olhada na Figura 1. Você verá que a curva está inclinada na direção de um aumento na demanda agregada à medida que os níveis de preços caem. No entanto, não se trata de uma linha reta. O impacto de certos fatores, como variações nas taxas de juros, pode distorcer a curva. O primeiro gráfico também não mostra nenhuma variação para cima ou para baixo na curva. A seguir, vamos dar uma olhada nos fatores que fazem a curva se deslocar.

Curva de demanda agregada

Variações na curva

A Figura 2 abaixo mostra um exemplo de aumento na atividade econômica. O resultado é o fortalecimento da demanda do consumidor. Você pode ver a curva da Figura 1 se deslocar para cima em direção à segunda curva de demanda agregada (AD2). Como exemplo de mudança para baixo, a primeira curva se moveria em direção à terceira curva (AD3). O formato básico da curva permanece o mesmo, mas as mudanças econômicas fazem com que ela se mova paralelamente, de acordo com a tendência econômica atual.

Variações na curva

O ponto principal a considerar com os dois gráficos exibidos acima é o aumento/redução da taxa real do PIB como consequência do deslocamento da curva para a esquerda e para a direita do original. Essas informações são extremamente úteis para investidores. Eles podem usá-las como base de comparação para suas próprias ideias e previsões para o futuro. Essas premissas se traduzem nos deslocamentos da curva de demanda agregada. Ao considerar que uma empresa ou um setor em crescimento se baseiam na força subjacente da economia, isso deverá ser uma questão central em qualquer estratégia de investimento. A seguir, veremos a fórmula subjacente usada para calcular a demanda agregada – este é mecanismo usado por governos e economistas para divulgar suas próprias estimativas e previsões de tendências.

Fórmula da demanda agregada

Antes de examinarmos a fórmula da demanda agregada, vale ressaltar que tanto a teoria keynesiana clássica quanto a Lei de Say fazem suposições ligeiramente diferentes em relação à capacidade econômica e ao PIB. A teoria keynesiana se baseia no pressuposto de que os gastos agregados refletem diretamente o PIB real. Como consequência, se a despesa agregada estiver abaixo do nível real do PIB, isso eventualmente levará a uma redução na oferta/produção até que o equilíbrio seja recuperado. Em termos básicos, a teoria keynesiana sugere que as economias se autorregulam.

A Lei de Say admite a premissa básica de que qualquer nível de PIB criado por uma economia gerará renda suficiente para comprar esse nível de PIB real. Alguns especialistas acreditam que há uma falha nessa suposição específica, já que parte da renda pode ser retida como poupança e não ser reinvestida na economia. Essas diferentes suposições deram muitos motivos de reflexão para investidores e economistas. Além disso, é preciso saber se o aumento da demanda ou o aumento da oferta impulsionam a curva de demanda agregada. Esta é outra complicação para as diferentes teorias. No entanto, a fórmula para calcular a demanda agregada permanece a mesma.

A fórmula para a demanda agregada é bastante simples:

AD = C + I + G + Nx

Ela é composta pelos seguintes componentes:

  • AD = Demanda agregada
  • C = Gasto do consumidor com bens e serviços
  • I = Investimento empresarial/gasto em bens de capital não finais
  • G = Investimentos/despesas do governo em bens públicos e serviços sociais
  • Nx = Exportações líquidas

A fórmula acima se baseia em um modelo econômico apresentado de forma independente por Robert Mundell e Marcus Fleming, o qual ficou conhecido como modelo de Mundell-Fleming. Há uma fórmula mais complexa que inclui os cálculos individuais para C, I, G e Nx. No entanto, a fórmula acima é geralmente a mais citada.

Perguntas Frequentes

Como as políticas governamentais podem deslocar a curva de demanda agregada para a direita?

Há diversas formas pelas quais as políticas governamentais podem deslocar a curva de demanda agregada para a direita. Isso inclui manter as taxas de juros relativamente baixas, reduzir a carga tributária, buscar o pleno emprego e incentivar as exportações. O pleno emprego aumenta a renda disponível, e as baixas taxas de juros e encargos tributários garantem a retenção de uma parcela maior da renda dos consumidores enquanto os custos comerciais permanecem relativamente baixos. Historicamente, as taxas de juros têm sido a principal ferramenta de escolha de muitos bancos centrais/governos, embora o investimento/desinvestimento na economia também possa causar um impacto semelhante.

Por que a demanda agregada é inclinada para baixo?

Muitas pessoas podem entender que a curva de demanda agregada deveria ser uma linha reta, mas isso pressupõe que todos os determinantes permanecerão constantes. No entanto, isso nem sempre assim é. Mesmo se os determinantes se movessem na mesma direção, eles não necessariamente se moveriam no mesmo ritmo. Há também o impacto adicional das importações/exportações e o atraso entre um aumento na demanda e um aumento nos custos de produção. Portanto, ao observá-la à distância, a inclinação descendente da demanda agregada reflete a situação real, em oposição à situação teórica.

Qual combinação de fatores provavelmente aumentaria a demanda agregada?

A ideia básica é que qualquer fator que aumentasse o consumo também levaria a um aumento na demanda agregada. Alguns dos fatores mais influentes incluem taxas básicas de juros relativamente baixas, redução de custos de empréstimos para empresas e consumidores, redução de impostos diretos, como tarifas, impostos sobre produtos e serviços, além do imposto de renda. O impacto desses fatores, que são definidos como políticas monetárias/fiscais expansionistas, dependeria do impacto de outros fatores que poderiam reduzir a renda disponível ou provocar um certo grau de preocupação entre os consumidores. Também vale lembrar que deslocar a direção da demanda agregada não é algo que acontece da noite para o dia. No entanto, já observamos algumas mudanças breves, mas acentuadas, no passado, como na crise do subprime de 2009 e na pandemia do novo coronavírus em 2020.

O que aumenta a demanda agregada?

Há um debate interessante sobre o que realmente aumenta a demanda agregada, o que nos leva à discussão do frango e do ovo. Alguns economistas acreditam que é um aumento na demanda que, no fim das contas, gera um aumento na oferta e na demanda agregada. Outros sugerem que a oferta precisa estar lá para induzir o aumento da demanda dos consumidores, aumentando, portanto, a demanda agregada. Na prática, o que ocorre é provavelmente um meio termo entre as duas posições, pois é preciso que haja um certo grau de demanda para dar às empresas a confiança necessária para investir em suas operações. Como elas tendem a esperar pelo surgimento de tendências, em vez de se basearem em estímulos momentâneos, pode ocorrer um atraso nesse movimento.

Como os impostos mais baixos afetam a demanda agregada?

Vimos um longo debate sobre como os impostos mais baixos afetam a demanda agregada e, consequentemente, a atividade econômica e o PIB. Uma redução nos impostos garante aos consumidores mais dinheiro no bolso e mais renda disponível. No entanto, essa condição também reduz a receita do governo e, consequentemente, os fundos disponíveis para investimento em serviços públicos e infraestrutura. No entanto, se a economia estiver crescendo, mesmo que os impostos tenham sido reduzidos, há o potencial de compensar essa diferença e até mesmo criar um superávit. A ideia é que a maior parte da poupança gerada a partir da redução de impostos será “reinvestida” de volta na economia, aumentando assim a demanda, a oferta e incentivando o emprego. Isso reflete perfeitamente a natureza complicada da demanda agregada e ilustra por que a curva de demanda agregada possui essa composição.

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