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Liquidez de Mercado

Liquidez de Mercado – Como isso afeta suas operações?

A liquidez está entre os conceitos mais importantes do mundo financeiro. É essencial para o bem-estar das Bolsas, corretoras, investidores institucionais e traders em geral – basicamente, qualquer um que tenha acesso aos mercados financeiros. Neste guia, vamos mergulhar no conceito de liquidez de mercado para descobrir como funciona e por que é algo tão importante. Veremos seus riscos e benefícios e analisaremos alguns dos ativos mais líquidos do mercado. Por fim, veremos como a liquidez e a volatilidade do mercado estão relacionadas e o que isso significa para os traders.

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O que é liquidez de mercado? E iliquidez de mercado?

A liquidez de mercado indica a facilidade de converter ativos em dinheiro sem afetar seu preço. Mas por que dinheiro? Porque o dinheiro é o ativo mais líquido possível, já que pode ser trocado por basicamente tudo.

Pense na liquidez como uma compensação entre o preço do ativo e a rapidez com que você pode comprá-lo ou vendê-lo. Quanto mais rápido for possível operar o ativo sem afetar seu preço, mais líquido ele será.

Os ativos líquidos garantem que sempre haverá um participante do mercado do outro lado da sua operação. Em geral, quanto mais líquido é o ativo, mais estável é o preço.

A maioria dos traders considera a liquidez um reflexo da saúde do mercado. Os investidores sempre preferem mercados líquidos, pois eles fornecem mais estabilidade e menos risco para suas estratégias de longo prazo.

“A liquidez está para os mercados assim como a gasolina está para o motor de um carro.”

– Paul Krugman

Por outro lado, a falta de liquidez é um estado do mercado ou ativo em que há dificuldade para converter o ativo em dinheiro. Isso significa que não há compradores suficientes ou, pelo menos, não há compradores suficientes que concordem com os termos de sua preferência.

Isso é o que chamamos de iliquidez. Ativos ilíquidos podem impedi-lo de lucrar com uma oportunidade de trading específica por não conseguir comprar ou vender no momento e pelo preço de sua preferência.

Traders que ficam presos em operações abertas ao não encontrar compradores ficam mais dispostos a aceitar preços mais baixos. É por isso que dizemos que a liquidez – ou a falta dela – pode influenciar o preço do instrumento.

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Entendendo como a liquidez do mercado funciona

A liquidez de mercado depende do número de compradores, vendedores e das transações entre eles. Quanto mais compradores e vendedores houver no mercado, mais estáveis e transparentes serão os preços.

A liquidez de mercado depende do grau de interesse do público em relação ao ativo específico. Por exemplo, as ações da Apple (AAPL) são muito mais líquidas do que as ações de uma empresa de tecnologia média. Isso ocorre porque o negócio da Apple é conhecido, com fundamentos sólidos, e por isso os investidores costumam ter um interesse maior pela empresa.

Segundo a teoria, em um mercado líquido, o preço de compra (oferta) deve estar próximo do preço de venda (demanda). Em condições normais, a diferença entre eles é inferior a 1% do preço, podendo chegar a apenas alguns centavos. Isso indica que as percepções dos compradores e vendedores quanto ao instrumento operado são semelhantes, o que significa que temos um mercado transparente e estável.

Por outro lado, quando o spread entre os preços de compra e de venda aumenta, o mercado fica menos líquido. A diferença no spread pode chegar a alguns pontos percentuais do preço em ativos menos operados. Mercados ilíquidos dificultam a compra e venda pelo preço de preferência dos investidores.

O que determina a liquidez do mercado?

A liquidez de um ativo depende de várias coisas. Uma delas é a classe de ativos. Ações, por exemplo, são muito mais líquidas do que os imóveis. A liquidez de outros ativos, como derivativos e commodities, geralmente depende de seu tamanho e da quantidade de Bolsas abertas em que são operados.

De modo geral, os instrumentos operados em grandes Bolsas possuem maior liquidez. Por outro lado, os instrumentos operados em mercados obscuros ou menos desenvolvidos tendem a ser mais ilíquidos. A Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) é muitas vezes mais líquida do que a Bolsa de Valores de Estocolmo, por exemplo.

A liquidez do mercado também depende da hora do dia em que você opera. Operar após o fechamento do mercado quase sempre significa menos compradores e vendedores disponíveis. Além disso, operar instrumentos estrangeiros – como operar o euro durante o horário de operação da Ásia – também resultará em menor liquidez. Ao esperar e operar o instrumento durante o horário oficial das Bolsas europeias, você obterá um spread de compra e venda muito melhor.

Para analisar a liquidez de mercado em números, vejamos um exemplo.

Em 9 de outubro de 2020, o volume de negociação da Google era de 1,3 milhão. Pode parecer muito, mas se colocarmos em perspectiva, o volume de negociação das ações da Tesla no mesmo dia foi de 42 milhões. Ambas as ações são consideradas altamente líquidas, e você pode operá-las sem se preocupar em ficar preso em uma operação.

No entanto, evite operar ações com um volume diário na casa das dezenas ou centenas. Este é outro tipo de mercado que os traders geralmente consideram ilíquido.

Como a liquidez e a volatilidade do mercado se relacionam?

A alta liquidez de mercado geralmente diminui a volatilidade do mercado. Por outro lado, a baixa liquidez pode desestabilizar os preços.

Os mercados com volume de negociação suficiente são conhecidos por terem preços estáveis e um bom ambiente para traders institucionais. Ativos que carecem de interesse de investimento suficiente geram mais especulação, o que significa que seus preços são instáveis, e por isso são considerados mercados mais arriscados e menos saudáveis. Alguns exemplos de ativos altamente líquidos e de baixa volatilidade incluem títulos e ações blue chips.

Para entender melhor a relação entre a liquidez e a volatilidade de mercado, pense nas ordens como uma forma de as empresas ou indivíduos votarem quanto ao destino do mercado. Como sabemos, quanto mais votos coletados, mais representativo e confiável será o resultado final.

Liquidez e volatilidade no trading

Vamos traduzir esse conceito para o contexto do trading. Nesse caso, quanto maior o número de ordens de compra e venda (alta liquidez), mais estável o preço ficará (baixa volatilidade).

Isso significa que a volatilidade e a liquidez têm uma relação inversa. Se a volatilidade aumentar, isso geralmente indica menor liquidez de mercado. Por outro lado, se a liquidez aumentar, a volatilidade provavelmente diminuirá.

Aqui também devemos mencionar a relação entre liquidez e preço. Podemos dizer que um ativo é verdadeiramente líquido quando as operações de compra e venda não afetam significativamente seu preço – mesmo em grandes quantidades.

Imagine que você mora em um bairro pequeno e consegue vender sua casa por um preço bem mais alto que a média do mercado. Em seguida, seu vizinho faz o mesmo. Devido ao pequeno número de imóveis disponíveis na região – ou seja, o mercado não tem muita liquidez –, é provável que esses dois eventos elevem o preço médio dos imóveis.

O mesmo ocorre com ações. Se um investidor possuir uma parte significativa das ações de uma empresa com baixo volume de negociação e resolver vendê-las de uma só vez, essa operação reduzirá o preço das ações. Esses investidores são chamados de “baleias”, pois seus movimentos podem “respingar” nos preços em mercados ilíquidos, afetando todos os participantes do mercado.

Por que a liquidez de mercado é importante?

Em geral, o objetivo principal da maioria dos participantes do mercado é a preservação do capital, portanto a liquidez geralmente é o ponto decisivo quanto à entrada em um determinado mercado. Se os investidores desejam garantir um desempenho mais estável e menos arriscado, eles buscam mercados com alta liquidez.

Historicamente, a liquidez de mercado sempre serviu como um sinal de alerta, indicando problemas iminentes com a economia. Um dos motivos é que a falta de liquidez muitas vezes pode contribuir para a formação de bolhas nos mercados.

Liquidez no contexto da bolha imobiliária

Tomemos a bolha imobiliária como exemplo. Ao longo das últimas duas décadas, vimos várias bolhas imobiliárias surgirem em todo o mundo. Uma delas levou à crise financeira mais devastadora desde a Grande Depressão.

Uma bolha imobiliária se forma quando o número de vendedores no mercado ultrapassa o número de compradores por uma grande margem. Isso faz com que o mercado se torne ilíquido, sem que isso seja refletido no preço – ou seja, o preço se move de maneira desproporcional.

Quando há equilíbrio entre compradores e vendedores, a demanda é estável, o que leva à construção de mais casas. Isso, por outro lado, leva ao aumento dos preços dos imóveis. Em algum momento, os compradores começam a investir em imóveis não apenas para morar, mas para lucrar com eles, aumentando ainda mais a demanda.

No entanto, esse processo tem um limite. Após atingir o ponto crítico em que a oferta supera significativamente a demanda, o mercado se torna ilíquido. Depois disso, a volatilidade dos preços passa a aumentar. Em seguida, o imóvel perde valor e, em algum momento, a bolha estoura.

É claro que vários outros fatores também contribuem para as bolhas imobiliárias, como crédito barato, mas esta é a ideia geral.

O mesmo processo ocorre nos mercados financeiros. Mercados estáveis e líquidos são um sinal de um ambiente bom e saudável. Eles permitem que investidores institucionais como fundos de pensão e seguradoras participem e apliquem seu capital, já que essas empresas são obrigadas a cumprir requisitos regulamentares rigorosos.

O que é um ativo líquido?

Um ativo líquido é um ativo de alta qualidade que pode ser convertido rapidamente em dinheiro sem afetar seu preço.

Ativos líquidos são geralmente os ativos mais populares. Entre os exemplos mais comuns, temos ações de empresas como Apple, Tesla, Netflix, futuros de commodities como petróleo, ouro ou milho, títulos do Tesouro dos EUA, moedas como dólar e euro, e assim por diante. Esses instrumentos estão entre os ativos mais líquidos do mercado financeiro.

No entanto, há um consenso de que um ativo é líquido quando pode ser comprado ou vendido em poucas horas. Outro critério é quando o ativo possui um volume de negociação de pelo menos dezenas de milhares de contratos ou ações por dia.

É importante observar que um ativo pode ser altamente líquido hoje, mas não ter tanto interesse daqui a um ano ou uma década. Os mercados mudam rapidamente e, sob a influência de diferentes fatores da economia e da vida social, as tendências variam – mais cedo ou mais tarde. Isso significa que os líderes de mercado de hoje podem não ser os de amanhã.

Mudanças drásticas no mercado em 2020

Vamos pensar na pandemia da COVID. A situação atual acelerou o interesse pela Netflix, que já era uma ação de alta liquidez. O mesmo acontece com as ações das empresas que competem para desenvolver uma vacina. Por outro lado, a pandemia esfriou o interesse por ações de companhias aéreas ou empresas ligadas ao turismo.

Isso mostra que não há uma regra universal para classificar determinados ativos como líquidos. Embora a teoria sugira que ações, títulos e futuros são líquidos, muitas vezes é preciso analisar os fundamentos do ativo específico, suas características, a época do ano, fatores externos, etc.

Por essa razão, é melhor manter a ideia de que um ativo líquido atrai mais interesse e pode ser comprado ou vendido rapidamente, sem que haja implicações no preço.

Quais são os mercados mais líquidos?

O ativo mais líquido é, sem dúvida, o dinheiro. Em seguida, os ativos mais líquidos são Forex, ações – principalmente as blue chips – e títulos. ETFs, futuros e fundos mútuos também possuem alta liquidez.

No entanto, como já mencionamos, a liquidez hoje em dia é menos dependente da classe de ativos do que de um determinado instrumento.

Por exemplo, as ações da Microsoft são operadas na casa dos milhões por dia. Enquanto isso, temos as penny stocks, que são operadas apenas algumas vezes por dia.

Temos ETFs como o SPY, cujo volume de negociação supera os 70 milhões por dia. Enquanto isso, também temos ETFs específicos de nicho ou ligados a um determinado setor que são operados apenas algumas centenas de vezes por dia.

Entre os futuros mais líquidos do mercado, temos petróleo, gás natural e milho. Enquanto isso, o microcontrato de rúpia indiana (MIR) é bem menos operado.

Também temos moedas como o dólar, libra esterlina, euro e iene que são altamente líquidas, enquanto outras como o rial iraniano, o franco guineano ou o xelim ugandês possuem um volume bem menor.

Resumindo, quanto mais popular o instrumento, mais líquido ele é.

Riscos e benefícios da liquidez

Por ser um dos conceitos financeiros mais importantes, a liquidez de mercado possui alguns riscos e benefícios significativos que devemos mencionar. Estar ciente deles permite que os traders maximizem seu entendimento da liquidez de mercado e naveguem melhor durante períodos de maior ou menor volume.

Riscos da liquidez

É nos períodos de baixa liquidez de mercado que reside o maior risco. A baixa liquidez gera instabilidade nos preços e piora as condições do mercado. Quando não há volume de negociação suficiente, o mercado se torna mais frágil. Nesses cenários, o preço fica mais sujeito à manipulação, logo as ordens maiores possuem maior influência sobre o mercado.

É por isso que os investidores com grande exposição a uma determinada classe de ativos de baixa liquidez são considerados uma fonte de alto risco sistêmico. Se o preço do instrumento começar a cair e o investidor decidir se desfazer de seus ativos, isso pode gerar um efeito dominó e empurrar o preço ainda mais. No fim das contas, são os investidores menores que mais perdem.

A baixa liquidez deve servir como um sinal de alerta de que, se você decidir investir naquele mercado específico, há o risco de ficar preso em operações durante períodos de instabilidade, pois pode haver dificuldade na execução das ordens. Isso significa que você terá menos flexibilidade para minimizar as perdas potenciais ou para aproveitar as oportunidades de lucro com o momentum.

É importante observar que a maioria dos traders associa períodos de crise política, problemas globais ou eventos de mercado com baixa liquidez. Essas situações incluem o período após os atentados de 11 de setembro e os meses após a crise financeira de 2008-09. À medida que o medo e a incerteza assumem o controle, mais investidores optam por sair do mercado, o que diminui ainda mais a liquidez. Como consequência, os preços se tornam muito mais instáveis.

É importante ficar muito atento ao investir em ativos com baixo volume de negociação. Para lidar com o risco de baixa liquidez, sempre acompanhe o volume de negociação, as notícias relevantes para o ativo e o spread entre compra e venda – afinal, mercados de baixa liquidez são conhecidos por terem spreads maiores.

Benefícios da liquidez

A liquidez é o combustível que alimenta os mercados financeiros. Em geral, quando a economia vai bem, a situação global é estável e há relativo equilíbrio entre compradores e vendedores. A liquidez geralmente é suficiente, mesmo em ativos específicos de nicho.

Como investidor, você deve entender que os mercados podem ser um ambiente saudável até mesmo durante períodos de baixa liquidez ou situações de crise.

Pense na pandemia da COVID. É natural supor que o setor de turismo seria o mais atingido por conta das restrições de viagem; no entanto, houve algumas exceções notáveis. O Booking.com, por exemplo, é uma empresa que deveria estar estagnada neste momento, mas vemos que ela fez um ótimo trabalho durante a crise e ainda conseguiu expandir seus negócios.

Isso mostra que, seja alta ou baixa, a liquidez é essencial para os mercados e sempre pode criar oportunidades para os investidores.

“Minha experiência é que, quando as pessoas querem se livrar de algo por um preço ridículo, é porque precisam, não porque querem. Portanto, este é um bom momento para comprar.”

Seth Klarman

Podemos ir mais longe e afirmar que a liquidez é a característica mais importante dos mercados financeiros. Ela é diretamente responsável pela estabilidade de preços, determinando a presença de compradores e vendedores, seu comportamento e muito mais.

Perguntas Frequentes

Como a liquidez afeta diferentes ativos e seu valor?

Uma liquidez maior torna os preços dos ativos mais estáveis. Isso também pode contribuir para valorizar ainda mais uma determinada classe de ativos. Por outro lado, a baixa liquidez pode causar um aumento na volatilidade e, indiretamente, diminuir o preço do ativo.
Por exemplo, se a liquidez dos ativos da sua carteira cair drasticamente, você terá que vendê-los a um preço mais baixo para minimizar as perdas ou mantê-los e esperar até que os preços retornem ao patamar anterior.
A liquidez não necessariamente afetará o valor do ativo no curto prazo, mas com certeza afetará seu preço. No entanto, se a baixa liquidez se mantiver no longo prazo, isso pode começar a afetar o valor do ativo.

Como a liquidez de mercado afeta suas operações?

Em geral, especuladores e traders mais agressivos buscam ativos com maior volatilidade, os quais muitas vezes possuem baixa liquidez. Os day traders preferem mercados mais líquidos, pois querem entrar e sair de uma operação com rapidez e sem precisar manter as posições abertas durante a noite.
Traders de grande porte e empresas de trading de alta frequência (HFT) preferem mercados altamente líquidos, embora o trading de alta frequência também tenha bons resultados em mercados voláteis. Investidores institucionais e de pequeno porte, assim como os traders comuns, também preferem mercados líquidos e com preços estáveis.
Resumindo, a liquidez é um fator crucial para que os participantes do mercado determinem se devem investir em uma dada classe de ativos.