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Spread do Brent-WTI – Saiba mais sobre este ativo independente

O trading de spread, definido como o trading da variação entre dois preços diferentes do mesmo instrumento simultaneamente, ocupa um segmento muito especial do mercado futuro. Há vários tipos diferentes de spreads, e algumas combinações atraíram tantos investidores para o mercado que eles são tratados como ativos separados. Isso criou uma demanda para operá-los de forma padronizada. Como eles se tornaram instrumentos independentes, isso fez com que um mercado de opções se formasse em torno deles. Isso também permite um acompanhamento mais fácil de seus resultados. Os investidores estão de olho nas diferenças de preço entre os dois ativos mais emblemáticos do mercado futuro de petróleo – o West Texas Intermediate e o North Sea Brent Crude – há muito tempo. Não é nenhuma surpresa que o spread do Brent-WTI tenha sido um dos primeiros a se tornar um instrumento independente de spread.

O problema básico costumava ser que o Brent é um produto da Intercontinental Exchange (ICE), enquanto o WTI é um produto NYMEX do grupo CME, sob o símbolo CL. O Brent é frequentemente reconhecido como o “barômetro” do mercado global de petróleo, pois representa dois terços do comércio mundial de petróleo. O ICE Brent representa a qualidade do óleo extraído do North Sea e também atua como referência para o petróleo do Oriente Médio e da Rússia. Enquanto isso, o WTI é o petróleo dos EUA. Em geral, o WTI é de qualidade superior ao Brent, portanto ele possui um preço mais alto. As diferenças na demanda global por petróleo e a demanda especificamente de petróleo dos EUA podem às vezes afetar essa diferença nos preços.

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Formando o spread do Brent-WTI

Um requisito essencial para a formação do instrumento de spread era que contratos individuais para ambos os ativos representassem mil barris de petróleo cada, facilitando a comparação entre os dois. Para operar o spread, você venderia um contrato e compraria o outro, evitando os riscos das oscilações de preço do produto base em favor da capitalização da diferença de preço no momento da compra. Por exemplo, alguém poderia comprar o contrato de preço mais alto e vender o mais baixo, se esse alguém esperasse que o preço aumentasse. No caso do spread “Brent/WTI Ice”, comprar um contrato significa obter um contrato de compra de WTI e um contrato de venda de Brent.

Supondo que o preço do WTI fosse mais alto que o do Brent no momento da emissão, a diferença de preço se tornaria positiva. Por outro lado, quando o Brent está mais valorizado, isso leva a uma diferença negativa. É interessante imaginar a ideia de receber dez dólares pela compra de um contrato no valor de menos dez dólares, embora isso não funcione exatamente dessa maneira. A compra do referido contrato não levaria a um fluxo de caixa negativo.

Comparando os dois ativos

As cotações dos dois produtos são expressas em incrementos de US$0,01. Essa diferença forma uma diferença mínima permanente entre os dois. Além disso, o spread acarreta menos riscos do que a compra e venda de futuros regulares de petróleo. Ambos os ativos individuais estão sujeitos às tendências básicas de preços do produto e, portanto, tendem a se mover de maneira semelhante em graus variados. Isso permite que o ativo combinado seja operado com uma margem inicial mais baixa, além de ignorar a necessidade de usar o dobro da margem para dois ativos separados. A distância do spread entre os dois produtos petrolíferos historicamente passou de US$0 para US$10 nos últimos três anos. Enquanto isso, o preço do WTI variava de US$26 a US$76 e o Brent de US$27 a US$87 no mesmo período.

Spread do Brent-WTI entre 01/2016 e 11/2018
Spread do Brent-WTI entre janeiro de 2016 e novembro de 2018

Devido à diferença de volatilidade, os ativos individuais oferecem significativamente mais oportunidades para aqueles que desejam realizar operações especulativas de curto prazo. O trading de spread requer uma abordagem totalmente diferente. Ela se baseia fortemente na análise detalhada dos fundamentos do mercado global de petróleo. Nesse caso, a ênfase está no discernimento das perspectivas da produção de petróleo dos EUA e em como a demanda por ela vai diferir dos mercados de petróleo do resto do mundo.

Movimentos de preço de Brent e WTI
Uma comparação dos movimentos de preço de Brent e WTI

A defasagem de preços do WTI se deve principalmente à busca dos EUA pela independência energética, como ilustra o gráfico abaixo.

produção de petróleo bruto dos EUA

Mercado global de petróleo

Um dos objetivos de Donald Trump como presidente era desregular a indústria do petróleo. Isso motivou o setor a aumentar sua produção na esperança de atingir um nível de produção que pudesse tornar o país autossuficiente nessa área. Esse esforço foi bem-sucedido em alguns aspectos: os últimos números de produção mostram que a quantidade de petróleo extraída hoje nos EUA é a mais alta da história. Esse valor seria suficiente para cobrir 57% da demanda do mercado doméstico. Enquanto isso, os níveis de produção de 2017 cobriam apenas cerca de 50%. Ao mesmo tempo, a mudança para a independência energética também significa afastar-se do mercado global. Consequentemente, os EUA podem se tornar potencialmente capazes de controlar processos econômicos por meio da regulação de seus próprios preços.

Atualmente, os EUA têm sanções contra a Venezuela e o Irã, diminuindo o suprimento global de petróleo. Ao mesmo tempo, o governo Trump continua pressionando os países da OPEP a aumentar sua produção. Essas circunstâncias fazem com que as incertezas em torno do suprimento de petróleo surjam principalmente em torno de fontes fora dos EUA. Nos estados, os altos preços do petróleo, apoiados por um forte dólar, atuam como um efeito indutor da inflação. Isso também pode ser parcialmente o motivo pelo qual os países europeus e asiáticos são avessos a aumentar suas baixas taxas de juros. Aumentá-las os ajudaria a combater a vantagem da taxa de juros dos EUA por um certo custo.

Para Trump, o enfraquecimento do dólar seria necessário para atingir seu outro objetivo de melhorar a balança comercial dos EUA. Enquanto isso, o WTI está lentamente ficando para trás do Brent no preço, o que faz com que o aumento do preço do petróleo afete a inflação dos EUA em uma extensão menor – embora ainda notável. O saldo do mercado interno dos EUA pode ser atribuído a uma política econômica que apoia a produção. Isso mantém o preço do WTI baixo e, como resultado, cria um mercado maior para os produtores domésticos. O efeito, é claro, é o estímulo da economia.

Conclusão sobre o spread do Brent-WTI

Nesse sentido, a atual política econômica dos EUA se alinha bem aos objetivos de Trump. O spread entre os dois derivativos, que se estabilizou em US$10 nos últimos meses, atende aos interesses do governo dos EUA. O aumento das tensões internacionais pode elevar o preço do Brent acima do WTI, o que levará ao aumento do spread. O valor atual de US$10 pode parecer alto, mas ainda tem o potencial de subir para US$20 à medida que os EUA se aproximam da sua meta de produção de 12 milhões de barris.