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Tarifas Comerciais vs. Taxas de Câmbio

Após a Crise do subprime em 2008, a importância das taxas de juros e de câmbio aumentou consideravelmente. As pessoas passaram a esperar que a Reserva Federal dos Estados Unidos (FED) resolvesse todas as questões econômicas, utilizando soluções de política monetária. Muitos investidores passaram a basear suas decisões de investimentos principalmente na FED e outras políticas do Banco Central. Apesar das ferramentas fiscais à disposição do governo poderem impulsionar um crescimento econômico tangível, seus esforços permanecem amplamente ignorados. Ao invés disso, as pessoas procuram os bancos centrais como principal veículo de apoio a economia, inclusive China, Europa e Estados Unidos.

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As Origens da Flexibilização Quantitativa 

Podemos atribuir a origem desta tendência ao ex-presidente da Reserva Federal Americana, Ben Bernanke. Ele desempenhou um papel proativo atípico durante o governo Bush. Acreditando que o governo tinha dificuldades em encontrar soluções econômicas, ele passou a reduzir taxas de juros básicas do dólar, com objetivo de aumentar a liquidez. Esta medida passou a ser conhecida como Flexibilização Quantitativa. À época, suas ações foram consideradas bastante radicais, e gerou muita preocupação sobre o risco em potencial de hiperinflação. Contudo, no fim, seus esforços vingaram.

Ao ver seu sucesso, bancos centrais de outros países começaram a emular suas políticas e efetivar suas próprias medidas de flexibilização. Devido ao atraso, muitos países ficaram atrás dos Estados Unidos em termos de recuperação da crise. Se você perguntar a qualquer um se eles se lembram quais políticas os governos da China e de países da Europa usaram para mitigar a crise, teria poucas respostas. Ninguém se lembra porque foram bastante ineficazes.

Taxas de Câmbio e Política Monetária

Ao longo da década passada, baixas taxas de juros e estímulos monetários constantes, tornaram-se os principais pilares da economia moderna. O livre capital é a base de ações em ascensão, e taxas de juros próximas a zero são uma exigência para o crescimento econômico. É preciso ressaltar que, este tipo de dependência, é como uma “vida ligada a aparelhos”. Sabendo disso, a Reserva Federal dos Estados Unidos tem se esforçado ativamente para tirar a economia americana disso, especialmente quando percebeu que ela pode se sustentar sozinha. Infelizmente, a atual disputa comercial com a China estragou seus planos. O sentimento inicial era que seria um breve jogo de interesses até eles finalmente sentarem para negociar. Embora as tarifas terem sido colocadas em standby e ambas as partes prometerem que vão trabalhar juntas, não há acordo final à vista.

Os Estados Unidos fizeram o movimento inicial neste jogo de xadrez de economia. A última manobra de colocar uma tarifa de 10% sobre um valor adicional de US$300 bilhões em produtos chineses, tinha como objetivo colocar a China na defensiva. A suposta reação do país, então, foi responder à medida fiscal com uma política monetária de desvalorização do yuan. Os bancos chineses não confirmaram oficialmente se isso aconteceu de fato, mas parece bem pertinente quando se observa as taxas de câmbio do dólar e do yuan.

Por segurança, vamos confiar nos analistas do Credit Suisse para confirmar nossas suspeitas. Baseado em seus cálculos, a desvalorização é um contra apropriado para as consequências das tarifas. Com a taxa do dólar em cerca de 7,0 yuans, 70% dos efeitos das tarifas iniciais de 25% sobre o valor de US$250 bilhões em bens, e do segundo conjunto de tarifas, de 10% sobre US$300 bilhões adicionais em produtos, foram neutralizados.

Uma competição de Tarifas Comerciais e Taxas de Câmbio

Washington, capital dos Estados Unidos, também está ciente destas estatísticas. O governo acusou abertamente a China de manipular a taxa de câmbio de yuan. Ao fazer isso, estaria infringindo vários acordos internacionais. Pequim insiste que não houve manipulação, e suas ações foram uma resposta legítima às tarifas unilaterais dos Estados Unidos. A forma como as duas partes se acusam mutuamente é, no máximo, uma distração, até todo mundo aceitar as políticas monetárias da China da mesma forma que aceitaram as dos EUA.

Ao longo dos últimos anos, vimos a influência de organizações comerciais internacionais declinar, assim como a importância de acordos comerciais multilaterais, que contribuíram para a perda de confiança mútua entre os participantes do mercado. É natural assumir que, num mercado onde falta confiança, a confiança de investidores é prejudicada, e o mercado de ações sofreu impacto, de fato, mas não tanto quanto era esperado. Mesmo sem confiança, a economia permanece estável. Isso pode ser atribuído, em parte, à forma como a Reserva Federal dos Estados Unidos continua aumentando a liquidez e elevando taxas de juros. Não há dúvidas de que suas políticas distorcem o mercado. Dito isso, considerando o clima político e econômico atual, eles não têm outra escolha, a não ser seguir em frente, querendo ou não.